Nestes momentos difíceis para a Mãe Terra e, em consequência, para toda a Humanidade, é necessário o renascer da “força da Terra”.
Temos de acabar, de uma vez por todas, com os conceitos que nos separam de Gaia. Nós “somos” a Terra! E todos os “Filhos da Terra” são também, sem qualquer exceção,“Filhos do Sol”! Ligar o Céu e Terra, buscando no Cosmos a nossa verdadeira origem, conduzirá a um novo ser humano.
A Natureza costuma responder àqueles que demonstram amor por ela. Não “somos todos um” apenas no plano da Humanidade, mas o somos em relação à totalidade da Vida.

O espírito da Terra, que os povos antigos sentiam como vivo, recolheu-se diante do mun-do atual e dos rumos escolhidos pela nossa civilização. Mas o espírito da Terra não está morto, pois aguarda o seu renascimento na alma da Humanidade. Aguarda, na verdade, um chamado! “Chamo a força da Terra. Chamo a força da Lua e do Sol. Chamo a força das Estrelas. Chamo os Céus e a Terra e o Poder Universal!”
Invocação xamânica
Você já parou para pensar que as árvores são, com mais direito do que os humanos, “seres solares”? Cada árvore passa toda a sua existência em profundo estado meditativo. Na verdade, em adoração ao Sol. Como resultado dessa condição, também distribui para todo o planeta ondas de paz e amor. A manifestação dessas ondas de amor ocorre de muitas formas: seus frutos que alimentam outros seres vivos, pelo oxigênio que todos nós respiramos ou pela paz e tranquilidade que sentimos quando ficamos protegidos pelas suas sombras refrescantes.

Abater uma árvore, sem uma necessidade real, deveria ser considerado um crime contra a vida planetária. Quanto um ser possui uma natureza pacífica, incapaz de uma reação contra os seus agressores, mais grave, ética e moralmente, é o crime cometido contra ele, … … pois as árvores, assim como todas as demais plantas, são “anjos” que, mergulhados em profundo estado meditativo, velam pela Terra. Elas nasceram do Sol e para o Sol …
Para que a existência de cada ser humano seja possível, milhares de árvores são consumidas ou destruídas. Do início ao fim de nossa existência, deixamos um passivo ambiental imenso e aterrador.
Países desenvolvidos:
Uma pessoa custa - 15.000 árvores
Países em desenvolvimento:
Uma pessoa custa - 3.000 árvores
Para uma população global de 6.700.000.000 pessoas, qual seria o custo total em árvores?
Chegamos, portanto, ao ponto em que ninguém mais pode alegar que não tem qualquer parcela de responsabilidade pessoal. Não somos mais crianças inocentes que pouco sabem do mundo. Pelo contrário, nunca se soube tanto a respeito de nosso planeta! Conhecimento, respeito, ética, cautela e responsabilidade são expressões que deveriam orientar a nossa maneira de viver. Precisaríamos de mais conhecimentos técnicos ou científicos, informações ou estatísticas detalhadas para, só então, nos decidirmos pelo plantio intenso de árvores no planeta inteiro? O que ainda estaríamos aguardando? Somente tentaríamos salvar a Natureza caso isso se revelasse como sendo um excelente negócio? Quando milhões de dólares ou euros (créditos de carbono) chegassem aos nossos bolsos?
Estamos completamente indiferentes aos gritos de socorro por parte da Mãe Terra. Seus lamentos de angústia e agonia, que já podemos escutar pelos quatro cantos do planeta, têm abalado os corações mais sensíveis. Mas os surdos de coração nada ouvem. Se nada ouvem, como pode-riam escutar?
Assim, “saber cuidar”,o oposto da profanação, é o primeiro princípio que devemos seguir em relação à Natureza. Pela primeira vez na história da Terra, o destino do planeta e de toda a Vida nele existente - animal e vegetal - foi confiado a uma única espécie: a Humanidade.
A Natureza é frágil e delicada. Sua força reside na capacidade contínua de regeneração. Torna-se, porém, extremamente frágil quando confrontada com as atividades humanas, que desconhecem limites e dessacralizam essa Obra Cósmica que é a Terra Temos de provar que sabemos cuidar do mundo em que vivemos, ou todos seremos, em futuro próximo, banidos do planeta.
Está em nossas mãos o destino da Mãe Terra. O nosso destino. Tudo o que serviu para orientar, até agora, a trajetória da Humanidade, terá de ser revisto e repensado.
Essa nobre missão pertence àqueles seres que galgarem o topo da escala evolucionária. A espécie humana chegou até este ponto somente para descobrir que o prêmio era mais trabalho. Muito trabalho…
Essa nova responsabilidade para a Humanidade, a de não mais cuidar apenas de si mesma, mas de toda a Criação, estabelece um novo patamar em nossa evolução: o de co-criadores e guardiões da Vida. Essa nobre missão não poderá ser recusada. Como se trata de um pedido de socorro da própria Natureza, da Obra do Criador, teremos o dever de aceitá-la. Caso a nobre missão de preservar a vida planetária seja recusada, quais seriam as justificativas válidas para continuarmos a nossa existência na Terra? Existiriam tais justificativas? E qual seria o interesse e a resposta da Mãe Terra em relação à Humanidade, uma espécie rebelada que despreza e rejeita a sua própria origem nobre e divina? Teremos de ter conhecimento, desprendimento, coragem e sabedoria para lidarmos com essas novas questões. Com o futuro da Humanidade em jogo, cooperação e solidariedade terão de ser exercidas em grau máximo e âmbito internacional.
Os desafios do mundo atual são imensos. Mas ninguém deve intimidar-se perante tais obstáculos… … mesmo porque, dentro de cada ser humano, existe um rico manancial de forças, as quais, acionadas no momento e direção certas, podem mover o mundo.

“Guardião da Terra”, a importância de cada mensageiro, aqueles que se consideram “Filhos do Sol” e sentem que têm uma séria missão a ser cumprida neste planeta.
Cada mensageiro deve tornar-se uma fonte de Luz para todas as demais pessoas. Nossos conceitos de vida devem passar do “individual” para o “transpessoal”. “Essas pessoas que não aceitam a derrota serão os heróis de amanhã, arautos de um novo mundo que pode e precisa nascer.”
A mensagem principal deverá ser dirigida, em caráter prioritário, às novas gerações, pois elas, sem dúvida alguma, são as verdadeiras e legítimas herdeiras do futuro deste planeta. Essa mensagem dirigida às crianças deverá, acima de tudo, enaltecer o amor pela Mãe Terra. Com isso, fortes vínculos com o planeta seriam formados. Se ensinarmos cada criança a ter amor pelo planeta, milhões delas assumiriam, com certeza, o papel de “Guardiões da Terra”. Talvez esta seja a nossa única alternativa, se almejarmos
um futuro digno para toda a Humanidade,…… pois a geração adulta, justamente aquela que comanda os destinos do mundo atual e pode, portanto, definir os rumos futuros da Humanidade, recebeu uma formação na qual a Natureza é somente um bem econômico e sem qualquer valor intrínseco.
Na Conferência das Nações sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO 92, no Rio de Janeiro, em junho de 1992, a menina canadense Severn Cullis-Suzuki deixou um recado bem claro.
“Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença.”
Severn Cullis-Suzuki

Paulo R. C. Medeiros, autor destas mensagens, reside em Campo Grande/MS – Brasil
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